quinta-feira, 26 de junho de 2008

As mais vaidosas do mundo

fonte: Revista Veja - SP, Beleza, 58 a 60
"Quando o assunto é vaidade, ninguém é páreo para as brasileiras. Elas são as que mais se preocupam em manter o corpo alinhado e a fisionomia jovial e se desvelam para aprimorar o que a natureza lhes deu (e que o tempo, aos poucos, se encarrega de roubar-lhes). Em nenhum lugar, a cirurgia plástica é encarada com tanta naturalidade quanto no Brasil – nem nos Estados Unidos, país que, em números absolutos, lidera o ranking das intervenções estéticas. O cuidado das brasileiras com a aparência está quantificado numa pesquisa com 21.000 mulheres, de 24 países, concluída recentemente. Muitos dos resultados dessa grande pesquisa são surpreendentes. Engana-se, por exemplo, quem pensa que as brasileiras se arrumam e se perfumam para agradar a seus companheiros ou causar inveja a suas rivais. A esmagadora maioria se embeleza principalmente para si própria. Apenas 19% das brasileiras se enfeitam para os outros. Para efeito de comparação, esse índice chega a 30% entre as italianas. Confiantes, elas não titubeiam em afirmar que as mulheres mais sexy do mundo são... as brasileiras. Ou seja, além de vaidosas, revelam-se também muito convencidas. Um intelectual teria provavelmente duas explicações para tamanha vaidade – uma de ordem sociológica e outra de ordem geográfica. A sensualidade seria um dos traços formativos do povo brasileiro, como analisa à exaustão o pernambucano Gilberto Freyre no clássico Casa-Grande & Senzala. E não há como ser sensual sem ser (ou parecer) bonito. Nas mulheres, naturalmente, a característica se acentuaria ainda mais. Essa é a explicação sociológica. A outra, geográfica, é que o Brasil é um país de clima predominantemente tropical, o que leva as pessoas a usar menos roupa. O que vaidade tem a ver com as calças (ou a falta delas, para ser mais exato)? Bem, desse ponto de vista, que recende ao mais inequívoco determinismo, corpos mais à mostra são diretamente proporcionais à preocupação em esconder imperfeições que o espelho insiste em refletir. E as mulheres, naturalmente... Nenhuma das explicações o convence? Se é assim, vamos à justificativa mais chã. Para usar aquela frase que ficou famosa na boca do ex-presidente americano Bill Clinton, "é a economia, estúpido". A vaidade exibida atualmente pelas brasileiras tem fortes raízes na expansão que, apesar de todos os contratempos, o Brasil experimentou nos últimos anos. A entrada de cosméticos importados no mercado nacional no início dos anos 90, a melhora na qualidade dos produtos nacionais e a estabilização da moeda ajudaram a impulsionar a indústria da beleza no país. "Tudo isso contribuiu para que houvesse uma explosão de consumo", diz Marcos Rothenberg, presidente da Associação dos Distribuidores e Importadores de Perfumes e Cosméticos.
O crescimento da indústria cosmética começou a se desenhar cerca de vinte anos atrás, quando as mulheres fincaram de vez sua bandeira no mercado de trabalho. Com dinheiro próprio para gastar, elas começaram a investir mais nos cuidados com a beleza. Não só para massagear o ego, como também para atender a uma exigência do moderno mundo dos negócios, no qual a boa aparência conta muito. Segundo a pesquisa, no Brasil, para 90% das mulheres os cosméticos são uma necessidade, e não um luxo. Nos Estados Unidos, elas somam 67%. E na Europa Ocidental, 73%, em média. Imagem, enfim, é tudo para elas. Quase 90% das brasileiras entrevistadas disseram que a aparência é importante para definir o que são".

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